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The Dog Haüs: como destruir a reputação de um restaurante nas redes sociais

Fonte: Época

Página da lanchonete The Dog Haus no Facebook (Foto: reprodução/Facebook)

Ontem (04/11), o Experiências digitais contou a história da jornalista Leka Peres em sua visita à lanchonete The Dog Haüs, no bairro do Itaim, em São Paulo. Disse que aprovou o hotdog, mas desaprovou a decoração considerada por ela machista. A crítica foi respeitosa. A resposta a ela, dada pelo perfil oficial da lanchonete no Facebook, nem tanto. Sem edição, eles responderam assim: “Caramba Qt gente infeliz nesse mundo, isso é decoracao bando de babaca , aqui repaeotos a todos , ficou ofendido??? Come HotDog em outro pico”.

A essa altura, a página do The Dog Haüs tinha uma avaliação no Facebook de 4,8 estrelas de um total de cinco. Era, portanto, destino certo de quem procurava por um estabelecimento agradável no bairro usando a maior rede social do mundo. Os comentários elogiavam a casa e a comida, considerada de excelente qualidade. A resposta do perfil poderia ter sido um erro de um funcionário ou até uma invasão de uma loja concorrente. Quem sabe. Fomos averiguar.

Procuramos o estabelecimento, que disse que tudo não passou de um mal entendido. Falou que tirou as placas. Em nota, a The Dog Haüs nos disse: “a resposta dada à crítica da cliente não corresponde com o posicionamento da empresa. Estamos tomando as devidas providencias internas em relação ao ocorrido, para que tais fatos não ocorram novamente”.

Horas depois, com as providências internas tomadas, um dos sócios da lanchonete, Shemuel Shoel, voltou a xingar a jornalista. Desta vez, usando o Messenger. Não vou reproduzir aqui os insultos, mas são todos aqueles já conhecidos disparados a mulheres homossexuais. A jornalista colocou a troca de conversas em sua página no Facebook para quem quiser ver.

Hoje (05/11), voltamos a procurar os donos da The Dog Haüs, que, desta vez, não responderam aos nossos contatos. O estrago na reputação da lanchonete foi grande. Das 4,8 estrelas, seu perfil no Facebook passou a ter apenas 1,5. No lugar dos elogios à comida, sobraram críticas sobre a forma como os donos da lanchonete trataram uma mulher.

Muita gente criticou a postura de Leka e dos amigos que a defenderam no Facebook. Também defenderam a liberdade dos sócios da casa de se posicionar da forma que bem entenderem a seus cliente. Alguns chamaram-na de “feminazi” e de ser uma patrulheira do politicamente correto. Mas as pessoas que se revoltaram com a postura de Shemuel parecem estar em maior número. Sobrou até para um bar que tem Shemuel como um dos sócios, o The Tap Häus, que sequer abriu e já tem uma avaliação péssima no Facebook. Um dos sócios foi à página tentar amenizar as coisas:

“Amigos e futuros clientes, estamos recebendo algumas agressões e sendo julgados por algumas pessoas em relação ao infeliz ocorrido de ontem com o The Dog Haüs. O Tap Haüs é um negócio independente e não tem nenhuma relação direta com The Dog Haüs. Somos, sim, parceiros vizinhos e amigos, mas somos formados por um corpo societário diferente e independente. As idéias expressadas por outros negócios não refletem necessariamente às nossas”.

Mensagem do dono da The Tap Häus, que tem como sócio Shemuel Shoel (Foto: reprodução/Facebook)
 

Independentemente de concordar ou não com a crítica que a jornalista fez às placas decorativas, o que está em análise aqui é a reação a um comentário totalmente trivial, que qualquer dono de estabelecimento recebe diariamente. Se ontem os sócios da The Dog Haüs apenas tinham sido “mal-educados”, o que eles fizeram depois pode gerar processo por injúria e crime de ódio. Leka já disse que está em contato com advogados e irá procurar seus direitos.

Mas talvez o processo seja o menor dos problemas dos sócios da The Dog Haüs. Como diria o filósofo, tirar algo indesejado das redes sociais é como tirar xixi de piscina. Vai ser difícil esquecer essa história.

Atualização: uma das páginas da The Dog Häus no Facebook foi retirada do ar. A outra ainda segue.

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