SINTO MUITO, SENHORA! NUNCA MAIS || Porque o atendimento não pode ser tratado de forma isolada

Transtorno de ansiedade por excesso de informação

Fonte: Revista Viva Saúde

Você está sempre conectado e lê imediatamente todos os e-mails que chegam na sua caixa postal? Mesmo assim, tem a sensação de que precisa estar mais atualizado? Saiba que esses são alguns sinais de quem sofre de ansiedade de informação, descubra como prevenir e combater esse tipo de transtorno.

Informar e compreender

Para se ter uma ideia do potencial do problema, hoje produzimos milhares de vezes mais informações em um ano do que todas as gerações que nos antecederam e, provavelmente, você recebe em um mês mais informação do que o seu tataravô teve acesso durante toda a vida. Muitas pessoas podem estar vivendo o que se convencionou chamar ansiedade de informação ,esse transtorno é causado pela avalanche de informações que recebemos todos os dias sem sermos capazes de entendê-las ou selecioná-las.

Usar ou ser usado

Apesar de ainda não ser classificada como uma patologia, especialistas são unânimes em dizer que essa ansiedade afeta a saúde e a qualidade de vida das pessoas, principalmente devido ao ritmo acelerado e à abundância de dados proporcionados pelas novas tecnologias. “Nossa capacidade de seleção tem de fazer parte do nosso aprendizado. Temos de perguntar: eu uso a tecnologia ou é ela que está me usando? Se ela não trouxer conforto então fizemos alguma coisa errada, não ao inventá-la, mas em como lidamos com ela”, analisa o médico Roberto Cardoso, coordenador de medicina comportamental do Femme Laboratório da Mulher (SP).

Atenção aos sinais

Os sintomas mais comuns são frustração por não manter-se atualizado, saber pouco ou com atraso; necessidade de checar a mesma coisa em diversas fontes; e estresse pela dificuldade de lidar com tanta informação. Essa ansiedade prejudica o desempenho. “Você fica distraído, agitado, não para de balançar o corpo, tem lapsos de memória e pode até ter problemas de concentração”, diz Cardoso. Para a psicóloga Juliana, trata-se de um comportamento de dependência. “É como se a pessoa precisasse daquilo para sobreviver.” Ela explica que três pontos mostram que algo está errado. “A primeira coisa é quando a pessoa só gosta de estar conectada. Não lê, não conversa com ninguém, só fica ligada, como se isso fosse a única fonte de prazer”, diz. A segunda coisa é quando o indivíduo começa a ter perdas no trabalho e nas relações. “A pessoa deixa de sair de casa para entrar na internet, perde o horário, não dorme porque se conecta às duas horas da manhã, perde o tempo que tinha de estar trabalhando para ficar on-line”, analisa. Já o terceiro ponto é querer parar com o comportamento, mas não conseguir. “Existem pessoas que acordam no meio da noite para ver se tem alguma atualização e não conseguem dormir”, observa.

Aprenda a identificar as “doenças” da era digital

Cybercondríacos :São aquelas pessoas reconhecidas como hipocondríacas que pesquisam o tempo todo sobre doenças na internet e começam a acreditar que estão doentes.

Dataholics: São os fissurados por informação, que precisam checar o mesmo dado em diversas fontes para estarem seguros. Mas sentem-se ansiosos por não preencherem essa busca desenfreada por informação.

Bulimia informacional: É a necessidade compulsiva de coletar informações em grande quantidade, sem critério, seleção ou preocupação com a qualidade e confiabilidade dos dados.
Obesidade informacional:Pode ser uma consequência da bulimia informacional e ocorre quando se tem excesso de informações desnecessárias e irrelevantes que, quando acumuladas, prejudicam o aprendizado que poderia ser útil.

Tem jeito?

A mudança de estilo de vida é a melhor maneira de prevenir e tratar o problema, aprendendo a colocar limites e priorizar as informações. Mas se você percebeu que a ansiedade está afetando a sua vida, vale a pena procurar a ajuda de um profissional de saúde, como de um psicólogo, psicoterapeuta ou psiquiatra, que orientará sobre a intervenção mais adequada. Nos casos em que o nível de ansiedade está bastante elevado, o psiquiatra pode indicar o uso de medicamentos ansiolíticos ou até antidepressivos, sempre com acompanhamento médico.

Deixe seu comentário

%d blogueiros gostam disto: